"Great people talk about ideas, average people talk about things, and small people talk about wine."
Fran Lebowitz
15.6.07
as vinhas da ira
postado por
fernando araújo
às
11:50 AM
0
comentários
5.6.07
odeio compras
> Odeio a estupidez do estacionamento do Eldorado, que entrega suas 200 melhores vagas a valetes
> Odeio o descompasso das rodinhas podres dos carrinhos de supermecado.
> Odeio a constatação da minha dependência a mais de 300 produtos industrializados.
> Odeio a completa ausência de algum protocolo quanto à disposição do carrinho, agora vazio, no estacionamento.
> Odeio o infalível vazamento de algum produto bem tóxico de limpeza, sempre notado, com surpresa, ao toque.
> Odeio a humilhante genuflexão causada pelo rompimento da alça do saco de compras.
> Odeio a quase-gangrena dos dedos, estrangulados por dezenas de forcas plásticas, cujos alçapões são garrafas, latas e grãos.
postado por
fernando araújo
às
3:13 PM
0
comentários
Marcadores: compras, cotidiano, reflexão, supermercado
4.6.07
metaloucura
Hoje, descendo a Groenlândia, vi um sujeito de terno e gravata puxando a guia de um cachorro imaginário. Que louco mais elegante!
Ao esfregar os olhos, constatei que era um segurança recolhendo a corrente do estacionamento de uma loja, para impedir os não-clientes de pararem seus carros lá. O louco era eu, enxergando coisas, em algum tipo de projeção do meu próprio estado.
A sanidade deve ir embora assim, um pino por dia.
postado por
fernando araújo
às
11:05 AM
0
comentários
1.6.07
virgem maria!
O sexo sempre foi viral, bem antes da internet. O relato da experiência de um repetente ou a mera alusão de um cenário sexual em um filme despertavam a curiosidade de toda uma sala de aula. Em questão de instantes, revistinhas de sacanagem circulavam pela classe, histórias sexuais mirabolantes viravam lendas na escola inteira, sessões escondidas de filmes pornográficos eram realizadas no primeiro instante em que alguém da turma ficava sozinho em casa. Poucos entendiam direito o propósito de tudo isso, mas todos tinham a certeza de que seriam mais adultos quanto mais próximos estivessem desse mundo, na estranha e competitiva busca pelo reconhecimento da própria maturidade. O sexo era mais um simulacro do "ser adulto", assim como o álcool e, especialmente, o cigarro. Qual seria o ponto em esperar anos para chegar à terra prometida, com tantos atalhos à disposição?
Em um futuro próximo, a prometida irrestrição no acesso à Internet permitirá o consumo de qualquer tipo de conteúdo, em qualquer lugar, a qualquer momento, por qualquer um. Será quase impossível blindar um adolescente motivado da pornografia online. Se ele não tiver a ferramenta de acesso (celular, palm, laptop, relógio, terminais, o que mais inventarem), bastará usar a de um amigo.
Quais seriam os efeitos desse contato irrestrito com a pornografia sobre uma geração inteira de adolescentes, disposta a absorver esses símbolos como dogmas da vida adulta? Estamos falando de uma nova educação, cujos referenciais são mulheres casadas sedentas pelo pepperoni de entregadores de pizza, pessoas que gostam de ser banhadas por urina e penetrações quádruplas!
Alguns palpites:
- A profissão de entregador de pizza será glamourizada.
- Os pornstars serão os novos Jaspion ou Changemen entre os meninos, modelos de atitude que evocam sucesso
- As meninas emularão o visual das pornstars - silicones, maquiagem, cintas-ligas, roupas de enfermeira...
- O sexo será mais casual, claro. Precisar de um relacionamento formal para conseguir tirar a calcinha de alguém será coisa de idiota.
- A idade média da primeira relação sexual cairá - o acesso irrestrito e precoce a gatilhos sexuais muito mais explícitos antecipará as primeiras experiências.
- Potencialmente surgirá a mentalidade do "quanto mais bizarro, mais adulto", que convencionaria práticas hoje chocantes para muitos
- As primeiras vezes serão especialmente frustrantes devido à expectativa de prazer cósmico cultivada pela cultura pornô, salvo autosugestão
- O choque de valores entre pais e filhos aumentará, e muito - será difícil lidar com a precoce naturalidade sexual de um filho de 12 anos, certamente. Imagine descobrir que a festinha de aniversário no McDonald's terminou em uma suruba épica de rapidinhas no banheiro? E para convencer o moleque de que ele estava errado, então? O nosso maior propósito aqui não é a felicidade? Não seria o prazer um meio legítimo para a obtenção dela? Estaria ele errado em buscar a própria felicidade, contanto que tomasse as devidas precauções? Acho que, primeiro, precisaria ME convencer disso.
postado por
fernando araújo
às
11:38 AM
0
comentários
Marcadores: comportamento, futuro, internet, sexo, sociedade
31.5.07
uma carta aos fernandos que são araújos
Resolvo pesquisar o meu nome no Google e acabo em centenas de outros Fernandos que são Araújos. Um é ministro das Relações Exteriores; outro, violinista; o restante divide-se entre pilotos, físicos, tenistas, militares, padres. Muitos de Portugal.
Onde será que fico em meio a tantos homônimos? Certamente não sou o Fernando Araújo mais renomado, brilhante ou engraçado. Melhor não pensar muito nisso...
E o nome em comum, implica em similaridades entre nós? Afinal, fomos tratados e dirigidos sempre pelo mesmo código fonético, durante anos e anos. Vocês representam a descrição sintética de quem sou, o título pelo qual sou conhecido, a minha forma simbólica. Certamente temos peculiaridades somente nossas, esculpidas pelo tal poder da palavra - talvez os Fernandos Araújos sejam notórios estaladores de dedos ou tranquem todas as portas que encontrem no caminho.
Não nego o meu egocentrismo em achar que sou a matriz de tudo, e vocês, realidades alternativas, tangentes de quem sou. Partiram de um mesmo ponto de partida, o nome, mas trilharam seus próprios caminhos de sucessos e fracassos, uma encruzilhada por vez: local de nascimento, família, escola... Uma pausa para observar um pássaro e, pronto, surge o Fernando Araújo padre; um embarque impaciente naquele ônibus lotado e, bingo, nasce o Fernando Araújo banqueiro.
Se você, Fernando que é Araújo, estiver lendo essa carta porque também buscou saciar sua curiosidade no Google, fico feliz. Espero que a vida venha tratando-lhe bem. Suas felicidades realizadas são a minha em potencial. E melhor que o meu nome seja uma benção, não uma maldição. Um tanto idiota, claro, mas olha quanta gente por aí que se acha grande coisa por dividir o signo com algum global. Um nome tem que ter mais significado do que isso.
postado por
fernando araújo
às
5:54 PM
0
comentários
Marcadores: existência, fernando araujo, reflexão
26.5.07
meet the writers: anton chekov

A Barnes & Noble, maior rede de livrarias dos EUA, é conhecida por promover eventos chamados Meet the Writers, nos quais escritores lêem trechos de suas obras e respondem às perguntas dos seus fãs. Prato cheio para pseudointelectuais babacas - daqueles que adoram mencionar autores em conversa, sem terem lido os livros - baterem o ponto e compilarem assunto suficiente para impressionar os ainda mais leigos (porém menos pretensiosos) ao seu redor.
Pois bem: um grupo de "produtores independentes" resolveu homenagear os 100 anos da morte de Anton Chekov com uma seção especial de Meet the Writers... Com o autor russo em pessoa... Dentro de uma Barnes & Noble... Com direito a leitura de trechos de seus livros, em russo...
... E uma banquinha na qual o próprio vendia seus próprios livros, autografados, por dois dólares cada, montada após o evento.
Genial.
postado por
fernando araújo
às
3:20 PM
0
comentários
Marcadores: anton chekov, bizarrices, intervenções, literatura
25.5.07
polifonia
All I Know is Tonight... A música é de 2005, ano no qual conheci de fato o Jaga Jazzist, e hibernou na minha memória musical, hoje um mostruário de medianas bandas novas, mais catalogadas do que ouvidas.
Dois anos depois, em um daqueles estranhos lampejos involuntários da mente - não lembro de qualquer tipo de gatilho neurolinguístico, exceto uma pesquisa sobre o Mick Jagger -, veio a lembrança de All I Know is Tonight. Foi como uma reação imunológica do meu corpo ao seu presente estado de apatia. O diagnóstico, rápido, rendeu uma prescrição de sublimação lícita e discreta: 10 noruegueses, harmonizando instrumentos e sintetizadores como nunca ouvi antes.
All I Know is Tonight pode ser rotulada como um post-rock que não chateia, consistentemente trazendo ganchos melódicos à tona; metais sutis e seguros, sem o egocentrismo, o engarrafamento de notas, a estridência; vocais que viram instrumentos, coadjuvantes de algo muito maior; motifs que circulam com relevância. Música rica, orgânica, cheia de camadas que progridem sem ordem ou padrões; a felicidade de um acerto lotérico, 1 de 1.000.000, que resulta no delicado equilíbrio de um ecossistema de 10 instrumentos.
Como é bom lembrar que ainda posso ser arrebatado de tal maneira.
postado por
fernando araújo
às
4:04 PM
0
comentários
Marcadores: jaga jazzist, mp3, música, resenhas
24.5.07
em termos com o passado
parakit - suburban kids with biblical names
i'm going back to the place i was born
my favorite hood
hallelujah!
i believe i've found what i came here for
i used to roam the streets on skateboards with cheap beer
a little punk
hallelujah!
found my old accordian
used to play it in the sun
went for a snack and a bottle of wine
didn't do that much
my life defined
all my friends are guitarists
and we know how to have fun
watching the kids build the tents outside
got me thinking about the times
i'm going back to the place i was born
my favorite hood
hallelujah!
i believe i've found what i came here for
i used to roam the streets on skateboards with cheap beer
a little punk
hallelujah!
and the tags are still there
meat is murder and pavement
i used to wonder when i went for a walk
if they meant pavement the band
or if it was just coincidence
Sempre a nostalgia... Os 5 minutos de felicidade decorrentes de um bom momento, seguidos por anos de conformismo no reconhecimento de que eles não voltarão mais.
A vida deveria ser uma sequência de pequenas euforias, sempre encerradas com a mais completa amnésia; euforia, amnésia, euforia, amnésia... Uma vida inteira de primeiras descidas pela colina, sentado no papelão, sem o tédio da repetição, o surgimento de preocupações, a cobrança dos outros, a ação corrosiva do tempo.
postado por
fernando araújo
às
3:27 PM
0
comentários
Marcadores: letras de música, mp3, música, nostalgia, suburban kids with biblical names
23.5.07
study: 38 percent of people not actually entitled to their opinion
CHICAGO — In a surprising refutation of the conventional wisdom on opinion entitlement, a study conducted by the University of Chicago's School for Behavioral Science concluded that more than one-third of the U.S. population is neither entitled nor qualified to have opinions.
"On topics from evolution to the environment to gay marriage to immigration reform, we found that many of the opinions expressed were so off-base and ill-informed that they actually hurt society by being voiced," said chief researcher Professor Mark Fultz, who based the findings on hundreds of telephone, office, and dinner-party conversations compiled over a three-year period. "While people have long asserted that it takes all kinds, our research shows that American society currently has a drastic oversupply of the kinds who don't have any good or worthwhile thoughts whatsoever. We could actually do just fine without them."
In 2002, Fultz's team shook the academic world by conclusively proving the existence of both bad ideas during brainstorming and dumb questions during question-and-answer sessions.
Acho que ganho mais lendo o The Onion do que a Folha.
postado por
fernando araújo
às
1:58 PM
0
comentários
18.5.07
o meu segredo
O único livro de auto-ajuda que eu leria seria sobre como lidar com pessoas que vivem de auto-ajuda.
postado por
fernando araújo
às
5:54 PM
0
comentários
Marcadores: auto-ajuda, reflexão
16.5.07
contrato velado
"PROCURA-SE: ESCRAVA BRANCA
Mulher jovem, muito bonita, interessada em obter moradia, conforto e favores sexuais em troca de presença permanente em casa e favores sexuais irrestritos. Magra, levemente fornida, e com uma excelente coluna vertebral. Nível cultural mediano ou elevado. Dotes culinários e musicais serão altamente apreciados. Período de avaliação de 6 meses, possível estendimento para contrato permanente. Interessadas mandar e-mail com foto e descrição pessoal para..."
Trecho de Escrava Branca, conto do livro Dentes Guardados, de Daniel Galera
postado por
fernando araújo
às
2:27 PM
0
comentários
Marcadores: daniel galera, dentes guardados, literatura
pílula amarga 3
Maior assincronia entre trilha sonora e cena - Os Intocáveis, quando o palacete de Al Capone é apresentado.
postado por
fernando araújo
às
2:06 PM
0
comentários
Marcadores: cinema, música, os intocáveis
