Tenho um novo blog, Dominódromo, no qual falarei somente de música. Espero conseguir publicar coisas legais a serem ouvidas, na taxa de um MP3 por dia. A empreitada será compartilhada com a senhorita Karen Kopitar.
O Disappearer continuará a ser a salada de sempre.
16.8.07
dominódromo
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fernando araújo
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3.7.07
lou fai
Nove sujeitos da remota Dakota do Sul, provavelmente os únicos indies dentro de um perímetro de 200 km, decidem pagar tributo à banda de suas vidas, Broken Social Scene. Juntam trocados, compram uma pilha de instrumentos velhos e decidem, no palitinho, o que cada um tocará. A técnica é um mero detalhe: o que importa é registrar as melodias que latejam no consciente coletivo. Fazer, acima de tudo. O ótimo é o inimigo do bom. Se não sabem arpeggios ou escalas pentatônicas, que, pelo menos, toquem com o dobro de energia. Porque a música, acima de tudo, deve ser emocional, calorosa. Dez notas dentro de um segundo não movem as pessoas como corais entoando ba-ra-ra-ras em pura entrega litúrgica ou 9 instrumentos no volume máximo, baixando, ainda mais, o lo-fi da gravação, mas deixando clara a maneira como cada um dos We All Have Hooks for Hands vive de melodia e emoção.
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fernando araújo
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25.5.07
polifonia
All I Know is Tonight... A música é de 2005, ano no qual conheci de fato o Jaga Jazzist, e hibernou na minha memória musical, hoje um mostruário de medianas bandas novas, mais catalogadas do que ouvidas.
Dois anos depois, em um daqueles estranhos lampejos involuntários da mente - não lembro de qualquer tipo de gatilho neurolinguístico, exceto uma pesquisa sobre o Mick Jagger -, veio a lembrança de All I Know is Tonight. Foi como uma reação imunológica do meu corpo ao seu presente estado de apatia. O diagnóstico, rápido, rendeu uma prescrição de sublimação lícita e discreta: 10 noruegueses, harmonizando instrumentos e sintetizadores como nunca ouvi antes.
All I Know is Tonight pode ser rotulada como um post-rock que não chateia, consistentemente trazendo ganchos melódicos à tona; metais sutis e seguros, sem o egocentrismo, o engarrafamento de notas, a estridência; vocais que viram instrumentos, coadjuvantes de algo muito maior; motifs que circulam com relevância. Música rica, orgânica, cheia de camadas que progridem sem ordem ou padrões; a felicidade de um acerto lotérico, 1 de 1.000.000, que resulta no delicado equilíbrio de um ecossistema de 10 instrumentos.
Como é bom lembrar que ainda posso ser arrebatado de tal maneira.
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fernando araújo
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24.5.07
em termos com o passado
parakit - suburban kids with biblical names
i'm going back to the place i was born
my favorite hood
hallelujah!
i believe i've found what i came here for
i used to roam the streets on skateboards with cheap beer
a little punk
hallelujah!
found my old accordian
used to play it in the sun
went for a snack and a bottle of wine
didn't do that much
my life defined
all my friends are guitarists
and we know how to have fun
watching the kids build the tents outside
got me thinking about the times
i'm going back to the place i was born
my favorite hood
hallelujah!
i believe i've found what i came here for
i used to roam the streets on skateboards with cheap beer
a little punk
hallelujah!
and the tags are still there
meat is murder and pavement
i used to wonder when i went for a walk
if they meant pavement the band
or if it was just coincidence
Sempre a nostalgia... Os 5 minutos de felicidade decorrentes de um bom momento, seguidos por anos de conformismo no reconhecimento de que eles não voltarão mais.
A vida deveria ser uma sequência de pequenas euforias, sempre encerradas com a mais completa amnésia; euforia, amnésia, euforia, amnésia... Uma vida inteira de primeiras descidas pela colina, sentado no papelão, sem o tédio da repetição, o surgimento de preocupações, a cobrança dos outros, a ação corrosiva do tempo.
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fernando araújo
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14.3.07
heaven is a feeling i get in your arms
Não sei bem o motivo pelo qual Trophy, do Bat for Lashes, loopa incessantemente na minha cabeça. Não é uma música que faz o meu tipo, nem salta aos ouvidos nas primeiras audições.
Trophy é insidiosa; seu dano, endógeno. A maldita surge apenas após dias de abrigo no rol das músicas ouvidas e esquecidas. A primeira manifestação logo vira coceira. Sem lógicas elaboradas ou razões maiores, torna-se necessário coçá-la em 1, 3, 5, 10 audições. Coisa fisiológica mesmo.
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fernando araújo
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2:23 PM
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15.1.07
música para os ouvidos
Sabe aqueles momentos de empolgação genuína ao ouvir uma banda nova e não acreditar nos próprios ouvidos? Por alguma razão, as pessoas costumam restringir essa sensação à adolescência.
Você já ouviu um dos inúmeros chavões associados à volatilidade emocional do jovem quando em contato com a música: movimento punk, teenage riot, teen angst, smells like teen spirit.. Mas quem disse que a vontade de gritar, a sensação de peito cheio e a vontade de pegar uma guitarra, quando despertados pela música, devem ser privilégios exclusivos de adolescentes cheios de espinhas? Música é música, ponto. Se você gosta dela, sua idade não mudará o seu entusiamo por ela...
Somente agora, jovem adulto que sou, olho para trás e vejo como minha relação com a música mudou profundamente com o passar dos anos. Os clichês do passado nunca soaram tão verdadeiros.
Aquela supracitada sensação despertada pela música? No passado, passava por ela semanalmente; hoje em dia, ouço tudo de forma tão cautelosa e crítica, que acabo perdendo a experiência emocional dessa primeira audição, capaz de deixar sua boca aberta, sua mente confusa, sua voz engasgada, desesperada por não ser suficiente para anunciar ao mundo a sua descoberta.
Bem, tive um momento adolescente nessa semana: sai completamente do eixo ao ouvir Foreign Born. Eles são uma banda da Califórnia, procedência um tanto surpreendente para o tipo de som que fazem: vocal e guitarras com reverb e outros efeitos, camadas de acordes e um pé firme no shoegazing.
Chama a atenção como o Foreign Born consegue partir de uma fórmula já batida para forjar um som infinitamente mais propulsivo, sem perder a beleza etérea peculiar dos nossos amigos olhadores de sapato.
Sabe quem fazia isso bem e deve ser influência em cheio da banda? O U2 de outrora, antes do Bono ficar com a cabeça gigante e complexo de messias. O dom para hinos é o mesmo, certamente, como dá para perceber nessa música, ó:
Foreign Born - It Grew on You. (clicar com o botão esquerdo)
E não é que a adolescência faz falta?
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fernando araújo
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10:17 PM
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