Ao escrever sobre o Superdrag no meu outro blog, Dominódromo, fiquei intrigado com o desaparecimento do rock alternativo.
Quem se lembra de ouvir ou falar de rock alternativo? O termo nem existe mais hoje em dia, e aquela sonoridade, tão peculiar e nichada aos nossos ouvidos de então, desapareceu.
Olhando para trás, com a percepção enviesada pela terminologia indie, tenderia a enquadrar superficialmente aquele bolo de bandas sob a alcunha de indie rock noventista. Mas a verdade era outra: muitas faziam parte de majors, com videoclipes na televisão, singles nas rádios e vendas consideráveis de discos. A MTV, por exemplo, dedicava 2 horas e meia diárias (!) ao rock alternativo com o Gás Total, noves fora o clássico Lado B.
A partir de 96, as majors desistiram do rock alternativo, mandando essas bandas embora após um ou dois discos, mesmo após gastarem milhões em seus contratos. Suas fichas foram destinadas a outros estilos, como o punk, o big beat e o new metal. Foi essa ação das gravadoras que induziu o público a cansar do gênero e interessar-se por outros "produtos" (uma estratégia deveras inteligente, similar à da Apple)? Ou as pessoas genuinamente cansaram-se do rock alternativo, forçando as gravadoras a partirem para um plano de contingência?
22.8.07
rock alternativo
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15.8.07
amy winehouse: "i think i'll have to go to rehab"
Segundo o The Sun, A Amy Winehouse, que hoje toca até na Jovem Pan, foi internada em um hospital de Londres, sob "grave estresse", um claro eufemismo para OVERDOSE.
O que encontraram no estômago da moça, após uma refrescante lavagem gástrica? Entorpecentes sortidos, provavelmente deglutidos com uma garrafinha de whisky, para descerem macios e reanimarem.
Por falar em reanimação, parece que chegaram ao ponto de injetar adrenalina.
O The Sun é fofoqueiro, mas parece que a história é verdadeira. A Island soltou uma nota cancelando shows da semana vindoura, o que seria um tanto exagerado para apenas um estado de "grave estresse".
Acho que ela devia ouvir os amigos e ir para a tal "Rehab".
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6.8.07
samba de uma nota só
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3.7.07
tokyo cuisine club
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lou fai
Nove sujeitos da remota Dakota do Sul, provavelmente os únicos indies dentro de um perímetro de 200 km, decidem pagar tributo à banda de suas vidas, Broken Social Scene. Juntam trocados, compram uma pilha de instrumentos velhos e decidem, no palitinho, o que cada um tocará. A técnica é um mero detalhe: o que importa é registrar as melodias que latejam no consciente coletivo. Fazer, acima de tudo. O ótimo é o inimigo do bom. Se não sabem arpeggios ou escalas pentatônicas, que, pelo menos, toquem com o dobro de energia. Porque a música, acima de tudo, deve ser emocional, calorosa. Dez notas dentro de um segundo não movem as pessoas como corais entoando ba-ra-ra-ras em pura entrega litúrgica ou 9 instrumentos no volume máximo, baixando, ainda mais, o lo-fi da gravação, mas deixando clara a maneira como cada um dos We All Have Hooks for Hands vive de melodia e emoção.
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25.5.07
polifonia
All I Know is Tonight... A música é de 2005, ano no qual conheci de fato o Jaga Jazzist, e hibernou na minha memória musical, hoje um mostruário de medianas bandas novas, mais catalogadas do que ouvidas.
Dois anos depois, em um daqueles estranhos lampejos involuntários da mente - não lembro de qualquer tipo de gatilho neurolinguístico, exceto uma pesquisa sobre o Mick Jagger -, veio a lembrança de All I Know is Tonight. Foi como uma reação imunológica do meu corpo ao seu presente estado de apatia. O diagnóstico, rápido, rendeu uma prescrição de sublimação lícita e discreta: 10 noruegueses, harmonizando instrumentos e sintetizadores como nunca ouvi antes.
All I Know is Tonight pode ser rotulada como um post-rock que não chateia, consistentemente trazendo ganchos melódicos à tona; metais sutis e seguros, sem o egocentrismo, o engarrafamento de notas, a estridência; vocais que viram instrumentos, coadjuvantes de algo muito maior; motifs que circulam com relevância. Música rica, orgânica, cheia de camadas que progridem sem ordem ou padrões; a felicidade de um acerto lotérico, 1 de 1.000.000, que resulta no delicado equilíbrio de um ecossistema de 10 instrumentos.
Como é bom lembrar que ainda posso ser arrebatado de tal maneira.
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24.5.07
em termos com o passado
parakit - suburban kids with biblical names
i'm going back to the place i was born
my favorite hood
hallelujah!
i believe i've found what i came here for
i used to roam the streets on skateboards with cheap beer
a little punk
hallelujah!
found my old accordian
used to play it in the sun
went for a snack and a bottle of wine
didn't do that much
my life defined
all my friends are guitarists
and we know how to have fun
watching the kids build the tents outside
got me thinking about the times
i'm going back to the place i was born
my favorite hood
hallelujah!
i believe i've found what i came here for
i used to roam the streets on skateboards with cheap beer
a little punk
hallelujah!
and the tags are still there
meat is murder and pavement
i used to wonder when i went for a walk
if they meant pavement the band
or if it was just coincidence
Sempre a nostalgia... Os 5 minutos de felicidade decorrentes de um bom momento, seguidos por anos de conformismo no reconhecimento de que eles não voltarão mais.
A vida deveria ser uma sequência de pequenas euforias, sempre encerradas com a mais completa amnésia; euforia, amnésia, euforia, amnésia... Uma vida inteira de primeiras descidas pela colina, sentado no papelão, sem o tédio da repetição, o surgimento de preocupações, a cobrança dos outros, a ação corrosiva do tempo.
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16.5.07
pílula amarga 3
Maior assincronia entre trilha sonora e cena - Os Intocáveis, quando o palacete de Al Capone é apresentado.
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pílula amarga 2
Momento musical mais indigesto e forçado na história do cinema - Beleza Roubada, quando Liv Tyler "bota pra quebrar" ao som de Rock Star, do Hole.
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pílula amarga
Música que todo mundo gosta (garotas, principalmente), e eu odeio - Blister in the Sun, Violent Femmes
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14.3.07
heaven is a feeling i get in your arms
Não sei bem o motivo pelo qual Trophy, do Bat for Lashes, loopa incessantemente na minha cabeça. Não é uma música que faz o meu tipo, nem salta aos ouvidos nas primeiras audições.
Trophy é insidiosa; seu dano, endógeno. A maldita surge apenas após dias de abrigo no rol das músicas ouvidas e esquecidas. A primeira manifestação logo vira coceira. Sem lógicas elaboradas ou razões maiores, torna-se necessário coçá-la em 1, 3, 5, 10 audições. Coisa fisiológica mesmo.
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8.3.07
niu reivi
Recebi um flyer que estampava, com orgulho, o termo new rave. Coisa de gente ignorante (ou muito esperta).
Até onde eu sei, a tal new rave, fenômeno recente, é a volta da cultura rave - festas épicas, roupas cítricas, fosforescência, drogas -, na Inglaterra, entre uma audiência que mal presenciou a primeira onda.
A new rave não se aplica ao Brasil. Povo diferente, cultura diferente, história diferente.
Aqui, ainda vivemos a cultura rave, anos depois do fim da mesma na Inglaterra. E essa nossa rave é outra, um evento para playboy, a via comum; a dos ingleses era uma antítese das fastidiosas rádios e casas noturnas da época, um contrafluxo.
Não faz sentido vender new rave no Brasil.
E fica pior.
Segundo o flyer, os DJs da festa tocariam new rave para a pista. Estranho. Você costuma ir a raves. Você não ouve rave. Na rave, toca psytrance, house, techno, drum n' bass, etc.
Essa incoerência primária gera discussões despropositadas acerca de um suposto gênero musical new rave: uns dizem que é música eletrônica com estética mais rock (Justice, Digitalism, Simian Mobile Disco, toda a turma Kitsuné-Modular), e a ridícula volta do remix, estragando todas as músicas das quais eu gosto; outros falam que é rock cheesy e sem pretensões, feito especificamente para pista de dança (daí os teclados cafonas e os sing-a-longs), como Datarock ou o próprio Klaxons, o EMF do século XXI (YOU'RE UNBELIEVABLE... OOOOOOOOOW!). Mas já vi jogarem Cansei de Ser Sexy, Hot Chip, Death from Above 1979 e The Gossip nesse bolo. Apples and oranges.
Ninguém conseguirá chegar a uma resposta contundente para a questão, pois tudo isso não passa de um engodo da mídia, uma grande bolha especulativa alimentada pela idiotice das pessoas.
Se não quiser passar vexame, diga que new rave é a música - sem distinção de gêneros -, que costuma tocar em uma suposta festa new rave, a versão contemporânea das antigas raves, que acontece lá na Inglaterra. Ponto. Agora é só copiar e colar essa definição, enviá-la para a sua lista de discussão, e marcar pontos com aquela menininha indie de óculos pretos e espessos, cujas lentes carecem de grau.
Pessoalmente, ainda prefiro a minha definição: new rave é desculpa para indie tomar pastilha e dançar eletrônico poperô. É farsa para achar que faz parte de algum movimento cultural relevante - uma espécie de carpe diem, no caso -, em meio a essa era de apatia ideológica.
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6.3.07
sistemas e métodos
Como não estou com paciência para escrever, mas queria passar a minha impressão sobre os lançamentos musicais de 2007, resolvi criar um índice atrelado à expectativa que eu tinha para cada disco.
Para tornar o exercício mais simples, considere que a expectativa em questão é composta da seguinte maneira:
70% - qualidade do disco anterior (QDA);
20% - palpite pessoal sobre o disco / rumo da banda (PPD/RD);
10% - hype alheia (HA).
Cabe notar que a relação de discos abaixo foi estabelecida de acordo com o Nível Mínimo de Expectativa (NME). Dentre todos os lançamentos do primeiro semestre de 2007, apenas esses 13 discos conseguiram superar tal patamar.
Com vocês, o Índice de Resultado sobre a Expectativa do Papai Aqui (IREPA):
Aquém
Bloc Party
Clap Your Hands Say Yeah
The Rakes
Ao par
Deerhoof
LCD Soundsystem
Arcade Fire
Além
Modest Mouse
The Twilight Sad
Deerhunter
A vir
Interpol
Les Savy Fav
Radiohead
Voxtrot
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2.2.07
apesar dos pesares...
gostei bastante de Goodbye To The Mother And The Cove, do disco novo do Clap Your Hands Say Yeah.
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24.1.07
casa de ferreiro, espeto de pau

Este sujeito pacato da foto é o lendário Yanni, grande luminar da música new age. Você deve conhecê-lo como autor de hinos das esperas telefônicas e salas de espera de dentista, estrela de videoclipes dignos de papel de parede de videokê e mensageiro da paz espiritual. Não dá para acreditar na existência de qualquer forma de tormento por trás dessa cara de picolé.
Pois bem, essa fotografia foi tirada em uma delegacia de Palm Beach, para a qual Yanni foi levado após bater em sua companheira. A história: uma discussão acalorada entre as partes degringolou de tal forma que o bigode resolveu chutar a mulher para fora da casa dele, literalmente.
Até aí, são coisas da vida - quantos são os casos de homens covardes açoitando suas mulheres? O que torna a história suculenta são os detalhes do acontecimento.
A moça, de fato, acatou a decisão de Yanni e pôs-se a enfiar suas coisas em uma mala. Isso, entretanto, não era suficiente para ele, que então bradou:
"Você é um lixo. Deveria levar suas coisas em um saco de lixo."
Uh! Um comentário deveras ofensivo e humilhante, mais do que adequado para mostrar à insolente quem é o chefe.
Mas Yanni não é um homem de palavras, e sim, de ações. Logo, pegou a mala da mulher, jogou suas coisas no chão e trouxe um saco de lixo, literalmente, para que ela fizesse sua mudança.
UH!
Moral da história: nunca arrume briga com um daqueles vendedores de flautinhas peruanas no centro. A casa VAI cair para o seu lado.
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fernando araújo
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15.1.07
música para os ouvidos
Sabe aqueles momentos de empolgação genuína ao ouvir uma banda nova e não acreditar nos próprios ouvidos? Por alguma razão, as pessoas costumam restringir essa sensação à adolescência.
Você já ouviu um dos inúmeros chavões associados à volatilidade emocional do jovem quando em contato com a música: movimento punk, teenage riot, teen angst, smells like teen spirit.. Mas quem disse que a vontade de gritar, a sensação de peito cheio e a vontade de pegar uma guitarra, quando despertados pela música, devem ser privilégios exclusivos de adolescentes cheios de espinhas? Música é música, ponto. Se você gosta dela, sua idade não mudará o seu entusiamo por ela...
Somente agora, jovem adulto que sou, olho para trás e vejo como minha relação com a música mudou profundamente com o passar dos anos. Os clichês do passado nunca soaram tão verdadeiros.
Aquela supracitada sensação despertada pela música? No passado, passava por ela semanalmente; hoje em dia, ouço tudo de forma tão cautelosa e crítica, que acabo perdendo a experiência emocional dessa primeira audição, capaz de deixar sua boca aberta, sua mente confusa, sua voz engasgada, desesperada por não ser suficiente para anunciar ao mundo a sua descoberta.
Bem, tive um momento adolescente nessa semana: sai completamente do eixo ao ouvir Foreign Born. Eles são uma banda da Califórnia, procedência um tanto surpreendente para o tipo de som que fazem: vocal e guitarras com reverb e outros efeitos, camadas de acordes e um pé firme no shoegazing.
Chama a atenção como o Foreign Born consegue partir de uma fórmula já batida para forjar um som infinitamente mais propulsivo, sem perder a beleza etérea peculiar dos nossos amigos olhadores de sapato.
Sabe quem fazia isso bem e deve ser influência em cheio da banda? O U2 de outrora, antes do Bono ficar com a cabeça gigante e complexo de messias. O dom para hinos é o mesmo, certamente, como dá para perceber nessa música, ó:
Foreign Born - It Grew on You. (clicar com o botão esquerdo)
E não é que a adolescência faz falta?
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fernando araújo
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18.12.06
idéias que gostaria de ter tido antes, vol. 1
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13.12.06
complexo de viralata
Jens Lekman teve noite de Morrissey aqui em São Paulo. Fila antes da hora da entrada, capa do Caderno 2, adoração irrestrita de gente que nunca ouviu falar do sujeito.
Não tinha idéia da comoção que esse show causaria. E aposto que ele também não. Mas sei que a grife Suécia vende bem.
Existe um glamour acerca da Escandinávia e um senso implícito de inferioridade nossa ante os caras. Como países tão pequenos podem ter tantos artistas relevantes, tantas histórias para contar e tantas empresas bem-sucedidas mundialmente?
O sr. Lekman é bom, muito bom mesmo. Mas não acho que o fenômeno de ontem tenha decorrido de seu mérito artístico. Faltava senso crítico na platéia, sobrava idolatria.
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7.12.06
look who's got a website
Não gosto do Ryan Adams, mas sou obrigado a assumir que o homem é um gênio.
Liguem as caixas de som e visitem a seção da rádio - o ócio criativo acaba de ser redefinido.
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