18.5.07

o meu segredo

O único livro de auto-ajuda que eu leria seria sobre como lidar com pessoas que vivem de auto-ajuda.

16.5.07

contrato velado

"PROCURA-SE: ESCRAVA BRANCA

Mulher jovem, muito bonita, interessada em obter moradia, conforto e favores sexuais em troca de presença permanente em casa e favores sexuais irrestritos. Magra, levemente fornida, e com uma excelente coluna vertebral. Nível cultural mediano ou elevado. Dotes culinários e musicais serão altamente apreciados. Período de avaliação de 6 meses, possível estendimento para contrato permanente. Interessadas mandar e-mail com foto e descrição pessoal para..."


Trecho de Escrava Branca, conto do livro Dentes Guardados, de Daniel Galera

pílula amarga 3

Maior assincronia entre trilha sonora e cena - Os Intocáveis, quando o palacete de Al Capone é apresentado.

pílula amarga 2

Momento musical mais indigesto e forçado na história do cinema - Beleza Roubada, quando Liv Tyler "bota pra quebrar" ao som de Rock Star, do Hole.

pílula amarga

Música que todo mundo gosta (garotas, principalmente), e eu odeio - Blister in the Sun, Violent Femmes

11.5.07

um lembrete para o não-enlouquecimento


"Whether we like it or not, we are all bound to the earth with our experience of life and the reactions of the mind, heart, and eye, and our sensations, by no means, consist entirely of form, color, and design."

27.4.07

dá para ser mais claro?

"There are four irreducible objections to religious faith: that it wholly misrepresents the origins of man and the cosmos, that because of this original error it manages to combine the maximum of servility with the maximum of solipsism, that it is both the result and the cause of dangerous sexual repression, and that it is ultimately grounded on wish-thinking.

I do not think it is arrogant of me to claim that I had already discovered these four objections (as well as noticed the more vulgar and obvious fact that religion is used by those in temporal charge to invest themselves with authority) before my boyish voice had broken. I am morally certain that millions of other people came to very similar conclusions in very much the same way, and I have since met such people in hundreds of places, and in dozens of different countries. Many of them never believed, and many of them abandoned faith after a difficult struggle. Some of them had blinding moments of un-conviction that were every bit as instantaneous, though perhaps less epileptic and apocalyptic (and later more rationally and more morally justified) than Saul of Tarsus on the Damascene road. And here is the point, about myself and my co-thinkers. Our belief is not a belief. Our principles are not a faith. We do not rely solely upon science and reason, because these are necessary rather than sufficient factors, but we distrust anything that contradicts science or outrages reason. We may differ on many things, but what we respect is free inquiry, openmindedness, and the pursuit of ideas for their own sake."


Christopher Hitchens, God Is Not Great: How Religion Poisons Everything

Leia mais aqui, na Slate

14.3.07

heaven is a feeling i get in your arms

Não sei bem o motivo pelo qual Trophy, do Bat for Lashes, loopa incessantemente na minha cabeça. Não é uma música que faz o meu tipo, nem salta aos ouvidos nas primeiras audições.

Trophy é insidiosa; seu dano, endógeno. A maldita surge apenas após dias de abrigo no rol das músicas ouvidas e esquecidas. A primeira manifestação logo vira coceira. Sem lógicas elaboradas ou razões maiores, torna-se necessário coçá-la em 1, 3, 5, 10 audições. Coisa fisiológica mesmo.

hard sell




Em protesto contra a falta de locais adequados para estacionamento em São Petersburgo (Rússia), homem pára jipe em cima de outro carro.
Folha Online, 13/03/2007

Hummer jogando sujo no marketing de guerrilha, hein?

8.3.07

niu reivi

Recebi um flyer que estampava, com orgulho, o termo new rave. Coisa de gente ignorante (ou muito esperta).

Até onde eu sei, a tal new rave, fenômeno recente, é a volta da cultura rave - festas épicas, roupas cítricas, fosforescência, drogas -, na Inglaterra, entre uma audiência que mal presenciou a primeira onda.

A new rave não se aplica ao Brasil. Povo diferente, cultura diferente, história diferente.

Aqui, ainda vivemos a cultura rave, anos depois do fim da mesma na Inglaterra. E essa nossa rave é outra, um evento para playboy, a via comum; a dos ingleses era uma antítese das fastidiosas rádios e casas noturnas da época, um contrafluxo.

Não faz sentido vender new rave no Brasil.

E fica pior.

Segundo o flyer, os DJs da festa tocariam new rave para a pista. Estranho. Você costuma ir a raves. Você não ouve rave. Na rave, toca psytrance, house, techno, drum n' bass, etc.

Essa incoerência primária gera discussões despropositadas acerca de um suposto gênero musical new rave: uns dizem que é música eletrônica com estética mais rock (Justice, Digitalism, Simian Mobile Disco, toda a turma Kitsuné-Modular), e a ridícula volta do remix, estragando todas as músicas das quais eu gosto; outros falam que é rock cheesy e sem pretensões, feito especificamente para pista de dança (daí os teclados cafonas e os sing-a-longs), como Datarock ou o próprio Klaxons, o EMF do século XXI (YOU'RE UNBELIEVABLE... OOOOOOOOOW!). Mas já vi jogarem Cansei de Ser Sexy, Hot Chip, Death from Above 1979 e The Gossip nesse bolo. Apples and oranges.

Ninguém conseguirá chegar a uma resposta contundente para a questão, pois tudo isso não passa de um engodo da mídia, uma grande bolha especulativa alimentada pela idiotice das pessoas.

Se não quiser passar vexame, diga que new rave é a música - sem distinção de gêneros -, que costuma tocar em uma suposta festa new rave, a versão contemporânea das antigas raves, que acontece lá na Inglaterra. Ponto. Agora é só copiar e colar essa definição, enviá-la para a sua lista de discussão, e marcar pontos com aquela menininha indie de óculos pretos e espessos, cujas lentes carecem de grau.

Pessoalmente, ainda prefiro a minha definição: new rave é desculpa para indie tomar pastilha e dançar eletrônico poperô. É farsa para achar que faz parte de algum movimento cultural relevante - uma espécie de carpe diem, no caso -, em meio a essa era de apatia ideológica.

7.3.07

biscoito da sorte?

Como, se quando o mordi, o maldito partiu em lascas afiadas? Agora, estou com um corte logo abaixo da língua, daqueles que levam meses para sarar.

Deveria comemorar por ele ter vindo com duas mensagens, ao invés de uma? Abriria mão dessa "sorte" para não ter o azar acima. Ainda mais quando as mensagens são medíocres desse jeito, ó:

- Não tente tirar a lua do fundo do mar.
- Conquiste uma clareza suave através da docilidade, encontrando seu lugar no mundo.

Do alto da minha generosidade, ofereço essas lições de sabedoria para quem estiver interessado. Podem ficar com elas. Vou me restringir à novela das oito para saber como devo encarar a vida.

6.3.07

sistemas e métodos

Como não estou com paciência para escrever, mas queria passar a minha impressão sobre os lançamentos musicais de 2007, resolvi criar um índice atrelado à expectativa que eu tinha para cada disco.

Para tornar o exercício mais simples, considere que a expectativa em questão é composta da seguinte maneira:

70% - qualidade do disco anterior (QDA);
20% - palpite pessoal sobre o disco / rumo da banda (PPD/RD);
10% - hype alheia (HA).

Cabe notar que a relação de discos abaixo foi estabelecida de acordo com o Nível Mínimo de Expectativa (NME). Dentre todos os lançamentos do primeiro semestre de 2007, apenas esses 13 discos conseguiram superar tal patamar.

Com vocês, o Índice de Resultado sobre a Expectativa do Papai Aqui (IREPA):

Aquém
Bloc Party
Clap Your Hands Say Yeah
The Rakes

Ao par
Deerhoof
LCD Soundsystem
Arcade Fire

Além
Modest Mouse
The Twilight Sad
Deerhunter

A vir
Interpol
Les Savy Fav
Radiohead
Voxtrot