
Segundo essa calculadora aqui, seriam necessárias ou 154 latas de Red Bull, ou 104 latas de Burn, ou 160 xícaras pequenas de café espresso, ou 357 latas de Coca, OU SOMENTE 44 CAFÉS GRANDES DO STARBUCKS, para eu bater as botas por overdose de cafeína.
Será que algum yuppie frustrado já tentou abotoar o paletó em um Starbucks? Com um laptop a tiracolo, você poderia: fazer o cálculo da overdose, na hora, combinando diversas bebidas do Starbucks, para evitar enjôos; enviar sua carta de despedida aos contatos do gmail e deixar mensagens crípticas em seus profiles de comunidades virtuais; gravar vídeos no YouTube, enviar atualizações para o seu twitter ou fazer um lifestreaming (ou deathstreaming?) da sua degradação...
Um lampejo de vazio, coisa simples de acontecer em um local desses, e pronto. Suicídio executivo, web 2.0, ironicamente amparado pelo seu próprio pretexto. User-generated demise.
24.7.07
morte por cafeína
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fernando araújo
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Marcadores: bizarrices, cafeína, suicídio, tecnologia
20.7.07
conheço o tipo
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Marcadores: comportamento, ironia, the onion
19.7.07
ali babá e os 40 ladrões
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fernando araújo
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Marcadores: carlos vereza, jô soares, lula, política
18.7.07
esse país não dá valor à vida
Acidentes nas estradas, latrocínios, não-atendimento em hospitais públicos. A leviandade governamental sempre causou mortes, mas de forma indireta. O dinheiro escoado da saúde, da educação, da infra-estrutura e da segurança pública eventualmente repercute em óbitos, mas estes pouco chocam a população: a concatenação causa-efeito é difícil; as mortes, mesmo constantes, são pulverizadas, silenciosas, sem fogos de artifício; a culpa sempre sobra para um coletivo indefinido, o sistema, eles - cadê a cara do bandido para cuspirmos nela?
Agora, vejam só, chegamos ao ponto em que politicagens, propinas, birras e interesses pessoais causam, diretamente, a morte das centenas de pessoas envolvidas na tragédia do vôo 3054, da TAM.
A situação não é tão extraordinária quanto parece. Brasileiro é leviano, egoísta, preguiçoso. O mesmo princípio do sujeito que fura fila, joga lixo na rua e pára na faixa de pedestres está aí, intacto, apenas em um cenário extremo, no qual as ações têm consequências magnificadas. Por que achar que a turminha envolvida nessa história não agiria conforme o que vemos nas ruas, todos os dias? A podridão vem do berço, endêmica, alimentada por um círculo vicioso de práticas e valores inconsequentes, de pai para filho, de colega para colega, de patrão para empregado.
Tento fazer a minha parte, todos os dias, sem exceções. Não roubo, não mato, não tiro vantagem, respeito as pessoas, trabalho para ganhar o meu dinheiro, poluo pouco, reciclo. Até pago os impostos, mesmo contrariado. No Brasil, país dos espertos, sou o chamado "tonto". Mas bastava saber que estava provavelmente certo na minha postura. Não mais.
Hoje, quero ir embora desse país. Quero que esses ufanistas do Pan fiquem aqui, para trás, levando bala perdida, caindo de avião, pagando imposto para nada, enquanto cantam o Hino Nacional, bebem uma caipirinha e acham que deus é brasileiro.
4.7.07
correnteza
Don't be like me. Salvation doesn't lie within four walls. I'm too serious to be a dilettante and too much a dabbler to be a professional. Even the most miserable life is better than a sheltered existence in an organized society where everything is calculated and perfected.
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Marcadores: cinema, citações, fellini, la dolce vita
3.7.07
chloe sevigny vai à chopperia liberdade...
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tokyo cuisine club
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Marcadores: culinária, música, tokyo police club, vídeos
lou fai
Nove sujeitos da remota Dakota do Sul, provavelmente os únicos indies dentro de um perímetro de 200 km, decidem pagar tributo à banda de suas vidas, Broken Social Scene. Juntam trocados, compram uma pilha de instrumentos velhos e decidem, no palitinho, o que cada um tocará. A técnica é um mero detalhe: o que importa é registrar as melodias que latejam no consciente coletivo. Fazer, acima de tudo. O ótimo é o inimigo do bom. Se não sabem arpeggios ou escalas pentatônicas, que, pelo menos, toquem com o dobro de energia. Porque a música, acima de tudo, deve ser emocional, calorosa. Dez notas dentro de um segundo não movem as pessoas como corais entoando ba-ra-ra-ras em pura entrega litúrgica ou 9 instrumentos no volume máximo, baixando, ainda mais, o lo-fi da gravação, mas deixando clara a maneira como cada um dos We All Have Hooks for Hands vive de melodia e emoção.
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Marcadores: indie, mp3, música, we all have hooks for hands
15.6.07
as vinhas da ira
"Great people talk about ideas, average people talk about things, and small people talk about wine."
Fran Lebowitz
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11:50 AM
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5.6.07
odeio compras
> Odeio a estupidez do estacionamento do Eldorado, que entrega suas 200 melhores vagas a valetes
> Odeio o descompasso das rodinhas podres dos carrinhos de supermecado.
> Odeio a constatação da minha dependência a mais de 300 produtos industrializados.
> Odeio a completa ausência de algum protocolo quanto à disposição do carrinho, agora vazio, no estacionamento.
> Odeio o infalível vazamento de algum produto bem tóxico de limpeza, sempre notado, com surpresa, ao toque.
> Odeio a humilhante genuflexão causada pelo rompimento da alça do saco de compras.
> Odeio a quase-gangrena dos dedos, estrangulados por dezenas de forcas plásticas, cujos alçapões são garrafas, latas e grãos.
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fernando araújo
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Marcadores: compras, cotidiano, reflexão, supermercado
4.6.07
metaloucura
Hoje, descendo a Groenlândia, vi um sujeito de terno e gravata puxando a guia de um cachorro imaginário. Que louco mais elegante!
Ao esfregar os olhos, constatei que era um segurança recolhendo a corrente do estacionamento de uma loja, para impedir os não-clientes de pararem seus carros lá. O louco era eu, enxergando coisas, em algum tipo de projeção do meu próprio estado.
A sanidade deve ir embora assim, um pino por dia.
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11:05 AM
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1.6.07
virgem maria!
O sexo sempre foi viral, bem antes da internet. O relato da experiência de um repetente ou a mera alusão de um cenário sexual em um filme despertavam a curiosidade de toda uma sala de aula. Em questão de instantes, revistinhas de sacanagem circulavam pela classe, histórias sexuais mirabolantes viravam lendas na escola inteira, sessões escondidas de filmes pornográficos eram realizadas no primeiro instante em que alguém da turma ficava sozinho em casa. Poucos entendiam direito o propósito de tudo isso, mas todos tinham a certeza de que seriam mais adultos quanto mais próximos estivessem desse mundo, na estranha e competitiva busca pelo reconhecimento da própria maturidade. O sexo era mais um simulacro do "ser adulto", assim como o álcool e, especialmente, o cigarro. Qual seria o ponto em esperar anos para chegar à terra prometida, com tantos atalhos à disposição?
Em um futuro próximo, a prometida irrestrição no acesso à Internet permitirá o consumo de qualquer tipo de conteúdo, em qualquer lugar, a qualquer momento, por qualquer um. Será quase impossível blindar um adolescente motivado da pornografia online. Se ele não tiver a ferramenta de acesso (celular, palm, laptop, relógio, terminais, o que mais inventarem), bastará usar a de um amigo.
Quais seriam os efeitos desse contato irrestrito com a pornografia sobre uma geração inteira de adolescentes, disposta a absorver esses símbolos como dogmas da vida adulta? Estamos falando de uma nova educação, cujos referenciais são mulheres casadas sedentas pelo pepperoni de entregadores de pizza, pessoas que gostam de ser banhadas por urina e penetrações quádruplas!
Alguns palpites:
- A profissão de entregador de pizza será glamourizada.
- Os pornstars serão os novos Jaspion ou Changemen entre os meninos, modelos de atitude que evocam sucesso
- As meninas emularão o visual das pornstars - silicones, maquiagem, cintas-ligas, roupas de enfermeira...
- O sexo será mais casual, claro. Precisar de um relacionamento formal para conseguir tirar a calcinha de alguém será coisa de idiota.
- A idade média da primeira relação sexual cairá - o acesso irrestrito e precoce a gatilhos sexuais muito mais explícitos antecipará as primeiras experiências.
- Potencialmente surgirá a mentalidade do "quanto mais bizarro, mais adulto", que convencionaria práticas hoje chocantes para muitos
- As primeiras vezes serão especialmente frustrantes devido à expectativa de prazer cósmico cultivada pela cultura pornô, salvo autosugestão
- O choque de valores entre pais e filhos aumentará, e muito - será difícil lidar com a precoce naturalidade sexual de um filho de 12 anos, certamente. Imagine descobrir que a festinha de aniversário no McDonald's terminou em uma suruba épica de rapidinhas no banheiro? E para convencer o moleque de que ele estava errado, então? O nosso maior propósito aqui não é a felicidade? Não seria o prazer um meio legítimo para a obtenção dela? Estaria ele errado em buscar a própria felicidade, contanto que tomasse as devidas precauções? Acho que, primeiro, precisaria ME convencer disso.
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fernando araújo
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11:38 AM
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Marcadores: comportamento, futuro, internet, sexo, sociedade

