28.9.06

epifania da semana

Quem se lembra do Bolinha? Tenho vagas memórias do homem e do seu programa, mas aquela música da abertura nunca saiu da minha cabeça:

"Bolinha, Bolinha, está na hora de você entrar na linha...".

Sempre achei que essa imposição, "está na hora de você entrar na linha", fosse direcionada ao telespectador - "Assista o Bolinha para entrar na linha".

Pois bem, foram 15 anos para eu me tocar de que a música era um recado para o próprio Bolinha. Aquele coro indefinido de mulheres - quase um grito de guerra do gênero feminino como um todo -, pedia encarecidamente para o incorrigível apresentador tomar jeito e parar com suas canastrices.

Se fosse ele, daria uma resposta mal-criada para essa mulherada sedenta pela mudança da minha essência. Uma sugestão de bom tom:

"Bolinhas, bolinhas, está na hora de vocês lamberem as minhas".

IN YO FACE, 'HOS!

Entendo sua dor, Bolinha. As mulheres sempre querem suprimir nossos instintos primordiais. Basta. Expectativas somente levarão a uma decepção inexorável. Um tigre não muda suas listras, baby.

25.9.06

histórias da minha vida, nas palavras de outrem, vol. 2

I'm From Barcelona - Oversleeping

Damn! Oversleeping again
Damn! I can't believe I did it once again

I can make it in time
if I jump out of bed
if I skip to wear clothes
and get running instead
if I get on my feet
if I skip to hit snooze
if I don't care to eat
and get running instead
I can make it in time

Been oversleeping on Monday
I don't care let's pretend that it's Sunday

22.9.06

histórias da minha vida, nas palavras de outrem, vol. 1

Nossa, o Hélio Schwartsman transcreveu um discurso meu antigo, praticamente ipsis literis. Já devo ter falado algo na linha desse trecho abaixo umas 60 vezes (não, não é uma hipérbole).

Bom saber que não sou o único chato de plantão.


"Na maioria de seus discursos, Bento 16 se bate contra o relativismo e o ateísmo, que aponta como os maiores males a afligir o Ocidente. De novo, discrepo com veemência. Aliás, em minha santa ignorância, acho que um pouquinho de relativismo é fundamental para interpretar o mundo de forma coerente. Se apenas uma religião é a verdadeira, algo como 5/6 da humanidade está condenada à danação eterna. Faz sentido alguém perder direito ao jardim das delícias apenas porque nasceu em algum rincão do globo onde a "verdade verdadeira" ainda não chegou? Nenhum personagem de romance hebraico seria tão cruel. Acho mais razoável compreender todas os sistemas de crenças como manifestações diferentes de uma mesma predisposição humana, que pode ter base biológica (como acredito) ou divina (como crê a maioria). (Felizmente, não estamos aqui numa democracia, de modo que não preciso acatar a "decisão" do grupo majoritário)."

Aproveitem para ler a coluna inteira.

20.9.06

motomichê

Motomix em pílulas:

Annie é coxuda.

O show do Art Brut foi ainda melhor do que esperava. Muito engraçado, e bem mais barulhento do que o disco.

Franz Ferdinand foi espetacular. Último show de turnê sempre apavora. Tudo está tão engrenado que fica muito mais fácil improvisar e divertir-se. Os caras realmente estavam comemorando o final de uma turnê que rendeu MUITO dinheiro a eles.

Radio 4 foi bem legal também. Pena que o povo estava baleado.

Em relação ao domingo, Isolée foi incrível. Fino, sofisticado, minucioso, minimalista. E o Peter Hook é o DJ mais farofeiro da história. Cafa até o último botão de sua camisa aberta e dono dos passinhos mais ridículos já realizados em uma pickup.

Uma amostra da já imortalizada dança do coicinho (ou escorpião, se preferir) do sr. Hook:

19.9.06

fundo do poço

"Em maio, o Ibope dava 50 pontos de diferença entre os dois: 58% para Sarney e 8% para Cristina. No final de agosto, o Ibope já dava 29% a ela e 50% a Sarney. Cristina --que disputa pela primeira vez uma eleição-- tem agora 40%, contra 47% do atual senador.

Sob risco, Sarney, que cogitou, aos 76 anos, não fazer uma campanha intensa --tem dois mandatos de oito anos como senador do Amapá--, já visitou todos os 16 municípios do Estado. No corpo-a-corpo, tenta colar sua imagem à população de baixa renda, seu principal eleitorado. Segundo o Ibope, Sarney lidera entre os menos instruídos (até a 8ª série) e os mais pobres (até dois salários mínimos). Cristina está na frente na faixa dos que ganham mais de dois salários mínimos e dos que possuem ao menos o ensino médio completo.

Cristina é militante do movimento negro e participa ativamente das festividades populares tradicionais. É dançarina do grupo de marabaixo --uma manifestação com raiz africana-- da comunidade de Campina Grande. Para igualar a disputa, Sarney também dançou o marabaixo no horário eleitoral da TV."

18.9.06

popular culture no longer applies to me

For quite a while, as a matter of fact. But it just keeps getting worse.

Fora a presença perene do Zapping no top 5 da Folha Online. Todo santo dia.

Difícil não sentir-se deslocado em conversas de bebedouro, quando são esses os filmes e assuntos relevantes.

15.9.06

reflexão

Someone once said modern art is what happened when people stopped looking at naked women and thought they had a better idea, and I’ve never had a better idea.

14.9.06

coisas para fazer em um supermercado quando acometido pelo tédio, vol. 1

1) Compor a música mais farofa dos anos 80;
2) Batizar a banda fictícia que a toca de "RENEGADO" (assim, ó);
3) Gravar a pérola ao chegar em casa.

Baixem essa linda canção, toquem-na bem alto nas sofríveis caixas de som que vieram com seu computador e cantem juntos, com seus isqueiros lá no alto (também aceito palmas, especialmente na última parte da música).

Renegado - Can't Find Place to Runaway

You know you like to deny me
Feels like i got no reason
Sometimes i want to desert you
But that would be treason

This room is getting smaller
Got no one else to follow
I'm lost and i am cold
I should have been told

My life is at stake
It sure was a mistake
Forsaken, I resign
Before i lose my mind

[REFRÃO]
Can't find place to runaway
Can't find place to runaway
Can't find place to runaway
Can't find place to runaway

And you know
You keep on closing the doors
I just hit the bottom
Can't fall away no more

[REFRÃO]
Can't find place to runaway
Can't find place to runaway
Can't find place to runaway
Can't find place to runaway

11.9.06

heart of snow

Brasileiro gosta de calor porque é preguiçoso e quer desculpas para fazer nada e beber a birita sob plena luz do dia.

Frio = progresso.

Não é só questão de ficar mais disposto a trabalhar em meio a uma friaca: nada mais lhe resta a fazer. Talvez suicídio, como constatado na Escandinávia, mas um infeliz se matando por cada batalhão motivado na labuta é uma barganha.

Está frio? Agasalhe-se até a alma e pronto. Está calor? Pode ficar pelado que não adiantará. Só uma piscina resolve. Você tem uma no seu escritório, por acaso?

8.9.06

feriado em SP

ruas nem tão cheias
ameaça constante de convocações arbitrárias para a labuta
tempo com os cachorros
organização de contas mil, quarto, cds
menos a fazer do que o devido
suposto descanso

25.8.06

death and taxes

Impostos são necessários, mas irritantes, especialmente devido à falta de accountability de nossos coleguinhas do showmício. Duro é pagar um tarifa de importação sem fundamento e arbitrária - mas não se enganem, sempre alta - ao comprar CDs do exterior.

Quem compra CDs originais hoje em dia? Eu, com iPod, computador, banda larga e CD-R, poderia estar a uma perna-de-pau de ser pirata de marca maior, mas escolho comprá-los quando possível. As loucuras cometidas com os preços dos CDs nacionais são dignas de muita discussão (por sinal, não acho que justificam a pirataria), mas seriam bem-vindas à minha realidade - adoraria poder reclamar dos preços, se ao menos conseguisse encontrar aqui os malditos CDs das bandas queridas do meu coração.

Nada me resta, exceto comprar as edições internacionais, únicas disponíveis, por algum site de e-commerce. As intenções são nobres, juro: quero que o artista receba dinheiro por seu trabalho; quero saber quem tem sua gratidão; quero ouvir sua música na mais alta qualidade; e, especialmente, quero ter mementos da produção cultural que tanto sentido fez a cada instante da minha vida.

Ao comprar um CD pela Amazon, pago o mark-up da loja, os impostos do produto, o envio do mesmo ao Brasil e os impostos desse envio. Qual é o sentido de pagar uma tarifa de importação de 60% sobre um valor muitas vezes presumido sem o menor critério pela Receita? Isso quando os próprios Correios não tentam embutir uma taxa sobre a entrega...

Esse CD foi produzido no exterior. Não havia alternativas no mercado nacional. De fato, jamais compraria um CD nacional de outra banda em detrimento do importado. Ninguém aqui do mercado fonográfico deixou de faturar - somente o sujeito da balada na qual eu encheria a cara com o dinheiro. Acho que ele abriria mão desse montante para escapar da encheção de saco causada por mim, entretanto.

Assumindo que o protecionismo não faz sentido nessa situação, por que não são cobrados somente os impostos decorrentes da circulação dessa receita em nossa economia? Sim, o dinheiro que gastei na compra desse CD importado deixou de circular aqui e gerar impostos, mas jamais renderia os gordos 60% tarifados na importação (que incidem também no frete!).

Conta de padeiro

Para facilitar o exercício, vamos assumir que todo esse montante seria gasto com CDs nacionais - a receita total gerada por toda a produção e comercialização de um CD equivaleria a aproximadamente 30% do preço de sua venda, de acordo com Associação Protetora dos Direitos Intelectuais Fonográficos (APDI). Absurdo, de acordo com os padrões do exterior, mas uma dádiva ante o atual cenário.

AGORA
4 CDs de US$10 = US$40
Taxa de frete = US$10
Taxa de importação = US$30
TOTAL = US$80 / US$20 por CD / R$42,60 por CD

SUGESTÃO
4 CDs de US$10 = US$40
Taxa de frete = US$10
Taxa de importação = US$15
TOTAL = US$65 / US$16,25 por CD / R$34,60 por CD

O pior é pensar que estamos falando de música, e de que essa verdadeira extorsão priva-nos o acesso a um bem cultural. Enquanto isso, é permitida à CIE a captação incentivada de R$9,4 milhões para a tour do Cirque du Soleil, espetáculo cujo ticket médio supera R$250, ao Brasil. Realmente, todos crescemos culturalmente com a vinda dessa pasmaceira digna de Hans Donner. Imagino a fúria de quem vive do teatro e do circo no Brasil.

23.8.06

enquanto isso, na Polícia Federal...

Renovar o passaporte a cada cinco anos é fogo, hein? Sinto como se tivessem revogado a minha cidadania e que para reavê-la, precisasse pagar, CARO!

Mas amanhã será o pior dia: 215 reais + 38 reais para ser julgado e humilhado na tensa, traumática e derradeira entrevista de renovação do meu visto americano. Juro que chamo o PROCON se aprontarem para cima de mim.

P.S. - Foi ridiculamente fácil. O sujeito da entrevista me fez uma pergunta e disse "Boa viagem" no final. Tentarei ser menos dramático daqui em diante.