Sou corintiano e queria, sinceramente, que o Corinthians caísse. Por esse pequeno fato, estou feliz; pelo quadro todo, o absurdo desse processo endêmico que culminou nesse final de semana, é óbvio que estou triste.
Hoje em dia, não enxergo sentido em torcer por um time de futebol. Como achar identificação em plantéis que mudam a cada 6 meses, ou em torcedores dos mais diversos substratos sociais, sem qualquer tipo de valor principal, coesivo, maior do que cada indivíduo. Não há uma causa por trás de um brasão. Não há mais times de operários, times de uma cidade - com jogadores e comissão técnica nascidos lá -, times com algum traço de personalidade - esse é sofisticado; aquele, aguerrido. Por isso, após a correnteza adolescente de debates em classe de aula e programas futebolísticos em família, já não torcia muito para o Corinthians.
Mas o tempo ainda piora a situação: constanto, cada vez mais, que perder a cabeça com algo tão inócuo aproxima-se de fanatismo religioso. É culto ao nada ou desculpa para submergir-se na anonimidade do coletivo e agir feito um animal, arrumando brigas em bares, jogando copos de urina nos outros e vivendo extremos emocionais que carecem de qualquer racionalidade. As pessoas realmente precisam de manuais, códigos e protocolos; mais importante, precisam fazer parte de algo, sempre.
Mas, especialmente, não me importei com o descenso do Corinthians porque, na minha cabeça, torcer para ele seria como compactuar com tudo aquilo que mais desprezo: corrupção, sujeira, práticas escusas. Torcer para a obra dessa administração seria como torcer por traficantes, sequestradores, estelionatários. Não, eu não quero o sucesso dessa gente, nem dessa escola antiquada da malandragem que macula o futebol brasileiro. Qualquer tipo de castigo - prisão, exclusão ou uma queda para a segunda divisão - cai bem aos meus olhos para bandidos.
Tenho dó dos jogadores, que não faltaram com esforço, mas recursos técnicos. E, óbvio, tenho alguma pena da torcida, que realmente, mesmo que de forma cega, dedica sua vida à bandeira alvinegra. Mas, nesse final de semana, creio que houve justiça, mesmo que por uma vez, no nosso futebol.
4.12.07
porque sou corintiano e fiquei feliz com o rebaixamento
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fernando araújo
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7.2.07
pelé good; maradona better; george best

George Best não chegou às alturas de Cruyff, Maradona ou DiStefano. Compará-lo então a Pelé?!? Sacrilégio, claro!
O próprio Edson, entretanto, discorda. Duas vezes. Não apenas declarou que George Best era o melhor jogador que já tinha visto em sua vida, como também mandou uma bola com os dizeres "Do segundo melhor jogador do mundo" para Best, quando este estava em seu leito de morte.
Mas então porque seu nome não tem tamanha projeção fora do Reino Unido?
Primeiro: a seleção da Irlanda era terrível e ainda não tínhamos uma transmissão ostensiva dos jogos interclubes. Best é considerado o maior jogador do Manchester United de todos os tempos. A cada partida, o público sabia que estava presenciando o tipo de genialidade que é contada de pai para filho ou em livros de história. Pense na repercussão que isso geraria hoje, no maior time do mundo, com a internet e a difusão da Premier League e da Champions League. Seu appeal local é inquestionável - seu funeral, em 2005, levou 25.000 pessoas para o cemitério, e o aeroporto de Belfast tem o seu nome!
Segundo: sua carreira futebolística sempre esteve em segundo plano - existiam tantas coisas melhores para fazer! Ele foi expulso do Manchester United aos 27 anos, porque sempre estava bêbado e atrasado para os treinos. Ao invés de aprender com seus erros, continou sendo um fanfarrão por todos os clubes por onde passou, e pelo resto de sua vida, até o seu fígado entrar em colapso. E, mesmo assim, sempre era o melhor jogador em campo, na base do talento puro.
Nós, mortais, crescemos sob a doutrina da determinação, do esforço, da dedicação e do aperfeiçoamento como as únicas vias para o sucesso na vida. Por isso uma figura única como Best desperta um misto de admiração e revolta. Ele era um ingrato, que pouco fazia de seu talento tão especial, mas que ainda conseguia tudo o que queria - o dinheiro, a Miss Mundo, a adoração -, enquanto o resto da humanidade contrabalanceava sua mediocridade com muito suor.
Mas ninguém está apto a questionar a conduta de Best. Quem somos nós para fazer tal julgamento, quando não temos a mais remota idéia de como deve ser nascer e viver com esse tipo de dom?
Na condição de ignorante, o recomendável é menos revolta e mais admiração.
A postura debochada e inconsequente de Best, para mim, apenas um desdobramento natural de seu talento, ainda rendeu essa pérolas:
"I spent a lot of money on booze, birds and fast cars - the rest I just squandered."
"I used to go missing a lot...Miss Canada, Miss United Kingdom, Miss World..."
(On David Beckham) "He cannot kick with his left foot, he cannot head a ball, he cannot tackle and he doesn't score many goals. Apart from that he's alright."
"If I had been born ugly, you would never have heard of Pelé"
"In 1969 I gave up women and alcohol. It was the worst 20 minutes of my life."
"I've stopped drinking, but only while I'm asleep."
"I once said Gazza's IQ was less than his shirt number and he asked me: "What's an IQ?""
(On the blood transfusion after his liver transplant) "I was in for 10 hours and had 40 pints - beating my previous record by 20 minutes."
(Joking in a discussion on Sky Sports News) "All seater stadiums? The fans WON'T STAND for it!"
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fernando araújo
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